Salve salve pessoal, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Wesley Podcast. Hoje nós falaremos sobre mudança pessoal alinhado com ciência e a minha convidada é a Dra. Tamires Aesh Cortz. Tamires, obrigado pela sua presença, é uma honra tê-lo aqui. E ah, a I e X. Opa. X, exatamente, X. Sobrenome em comum, né? árabe é um sobrenome que veio do Líbano, como eu vou. Eh, tem ainda libaneses morando lá com o mesmo sobrenome. Olha só que legal. Tamil, se apresenta aí pro pessoal te conhecer, suas credenciais profissionais. Bom, eu sou médica, eu sou especialista em nutrologia, eh, faz anos, eu sou formada há 10 anos, eu trabalhei durante 7 anos como médica da família e médica emergencista. Então, fiz muito plantão antes de entrar nessa área que eu tô hoje. Ã, é para eu falar minhas redes sociais? Sim, já deixa aí suas redes também. Ã, meu Instagram é @dratamires a Ix. E eu venho trabalhando com emagrecimento desde que eu decidi fazer essa especialização de nutrologia por conta da minha história pessoal mesmo. Pois é, a sua história pessoal. Bom, antes da gente entrar na pessoal, tenho uma curiosidade. Emergencista, você é aquela pessoa que ficava na no hospital quando chega um cara que toma uma facada? Aham. Na porta, na porta da emergência, sala vermelha histórias, né? Eu eu tenho a minha esposa, a Mayara é médica e aí quando eu vou nos almoços com os amigos, todos médicos lá, os tem alguns emergencistas e aí tem algumas histórias assim. A sua esposa foi minha veterana na faculdade. Olha só que legal. Ã, eu trabalhei muito tempo com emergência. É uma coisa que eu adoro. Inclusive, se eu pudesse, aí eu falo pro meu marido até hoje, assim, ó, ã, o dia que eu estiver muito bem estabilizada, profissionalmente, financeiramente, enfim, uma vez por semana eu quero fazer um plantão na ambulância assim, porque não tem outra coisa que dê tanto prazer na vida quanto tu trabalhar com emergência. É uma coisa assim, tu nunca sabe o que vai acontecer. Tu não pode ser um plantão muito tranquilo que tu vai atender cinco pessoas, não vai ter nada de intercorrência, mas daqui a pouco vai chegar uma criança morrendo, vai chegar uma picada de bicho, vai chegar uma facada tiro, enfim, é uma coisa bem louca assim. É só é muito imprevisível, deve ser uma adrenalina, né? Diferente da da clínica que é muito mais previsível. Completamente é completamente diferente. E assim, eh, é uma coisa que te faz sentir muito médico, tá? Porque você trabalhar dentro de uma clínica, trabalhar dentro de um consultório, é tudo bastante previsível, né? Então o paciente vai chegar com exame, enfim, eu eu inclusive tenho uma amostra muito viciada, é um paciente que é obeso, é um paciente que tem uma dor, que ele vem ali sempre com sofrimento, mas é diferente do paciente que ah uma dor aguda, uma coisa que que apareceu do nada assim, é uma coisa realmente insana. É porque, por exemplo, a tua intervenção na clínica de nutrologia, ela vai gerar benefícios a contagotas no paciente. O cara que chega na na emergência com a faca cravada no peito, você tem que salvar ele nas próximas horas. Então, é, na verdade, você tem que tirar ele do risco de morrer. O que vai acontecer depois já não é mais a função do emergencista, né? Então, eh, o paciente chega ali no no meio emergência, que é uma coisa que precisa ser resolvida nos próximos minutos. E a partir do momento que você estabiliza aquela pessoa que sinal vital, frequência cardíaca, pressão, n, tudo certo, parou, hemorragia, é outra pessoa que quem vai conduzir. Então, estabiliza, deixa ele ali bem seguro. E isso é uma coisa é varia, porque nunca é um paciente assim, ó, que só levou uma facada. É um paciente que leva uma facada, é diabético, ele usa anticoagulante, então ele sangra mais do que o normal, ele tem um problema no coração que se você fizer qualquer droga para ele, tá alcoolizado, tá drogado, tá? Então é realmente é é louco. E você comentou que por conta da sua experiência pessoal você foi pra neutrologia, né? Quais qual experiência pessoal é essa pra galera? Então, assim, ó, eh, desde os meus 4 anos, eu sou obesa, eu tenho essa questão com a compulsão alimentar, que hoje eu consigo enxergar que começou lá na minha infância, desde que eu era criança. Eu lembro da minha mãe contar para mim assim que eu comia comida escondido e eu pegava o papel da comida e mocosava assim no lixo, eh, porque eu tinha episódios de descontrole comendo. E dentro da minha casa sempre foi uma questão essa, eh, alimentação. Minha mãe sempre foi muito arregrada assim, nunca ai não tinha danoninho, não tinha bolacha recheada, nada disso. Era uma coisa muito arregrada. E aí todas as vezes, tipo, eu ia na escola e tinha um coleguinha que tava comendo uma bolacha. Eu eu peg, ah, quer a bolacha? Eu pegava a bolacha e eu levava para casa para comer escondido. Então, esses episódios começaram ali na minha infância e eu fui desenvolvendo. Eu passava o dia inteiro sem comer. Daí quando eu ia comer era uma quantidade absurda de comida. Eu fui desenvolvendo isso ao longo do tempo na infância. e claro, desenvolvendo esse quadro de obesidade desde então. E aí o que acontece na adolescência, isso, claro, piorou, né? E o adolescente ele tem mais descontrole, enfim, piorou bastante até eu chegar no auge dos meus 19 anos com 120 kg e um quadro completamente descompensado de compulsão alimentar. Ã, a partir daí, assim, ó, desde os 12 anos eu usava remédio para emagrecer, enfim, a minha família do interior do Paraná de Fozig Iguaçu, então a gente tinha muito acesso à medicação que tinha no Paraguai, né? H, usava anfetamina, cibutramina, tudo que você imaginar de medicação que existia no mundo para ser utilizado. Eu já tinha usado assim, até meus 14 anos já tinha usado tudo. Emagrecia, daqui a pouco voltava a engordar justamente porque não se tinha essa noção que tem hoje de um diagnóstico, de uma compulsão alimentar, enfim, talvez também não fosse enxergado, porque eu era uma guria muito nova, né? E aí o que aconteceu foi que com 19 anos já tinha usado tudo, já tinha tentado de tudo. E aí a única coisa que eu consegui enxergar assim era: “Poxa, eu passei no vestibular, eu vou começar uma vida nova numa cidade nova, eu queria mudar minha vida”. Eu era uma guria super embotada, eu não não tinha amigo, eu era super pouco sociável por questões inerên, porque eu achava que todo mundo me olhava de cara feia porque eu era gordo. A verdade é essa. Ã, e no caso só para entender, 120 kg para uma mulher seria meio que uma obesidade três já, né? Mórbida. Mórbida. É, não se fala mais mórbida, né? Agora é grave, mas era eh realmente era uma coisa gritante assim, 120 kg eu peso não era não era um sobrepeso, né? Não, não, não era alguém que você falava gordinha, era obesa, real, ã, muito pesada. E assim, desde sempre, tá, existiram momentos e da infância assim em que você tem esses estirões de crescimento que até dava uma certa aliviada, mas sempre gordinha, nunca era uma criança que alguém falava: “Nossa, peso normal”. Não, e sempre comendo descontrolado por questões emocionais, enfim, a a questão não sei se vem muito ao caso. De qualquer maneira, quando eu tinha 19 anos, eu decidi que eu precisava mudar essa realidade da minha vida. Não, não dava mais com remédio. Eu passei no vestibularário aqui em Florianópolis e vim vinha a morar aqui. E aí eu decidi que ia fazer cirurgia bariátrica contra tudo e contra todos. Minha mãe falou que era um absurdo, minha família inteira falando que era um absurdo, que um dia se viu, 19 anos, blá blá blá. Só que assim, o fato de eu ser obesa naquele momento me tornava realmente a pessoa mais infeliz do mundo, tá? Porque tinha muito disso de eu achar que tava tudo muito errado, porque eu era gorda. Uhum. E eu acho que isso hoje me faz ter condutas em relação aos meus pacientes que me aproxima deles, do tipo, Claro, com certeza. Empatia enorme, né? Assim, as pessoas acham muito que elas vão fazer, vão ser magras, elas vão ser felizes. Então, eh, eu, eu tento puxar muito pra realidade o paciente que chega assim, ó, ai, porque minha vida tá uma bosta, o meu trabalho é uma bosta, meu casamento é uma bosta, tudo muito ruim e eu acho que se eu for magra, tudo vai ser muito bom. E eu falo, ó, vou vou te mostrar minha situação. Minha situação, eu quero uma guria assim assim assado. Eu emagreci 70 kg basicamente e não se compra, não se compra felicidade assim, não. Não é isso que faz as pessoas felizes. Tem, tem uma série de fatores que vai fazer a vida das pessoas se transformar, mas não é a magreza. Vamos tentar tirar a expectativa de cima disso. É claro que é mais fácil você se sentir bem num corpo legal e tal, mas não é só isso. E aí eu fiz essa cirurgia, eh, vim para cá, tinha um um mês de cirurgia assim. No seu caso, foi aquela que diminui o estômago? Diminui o estômago e tira um pedaço da intestino. Então são basicamente dois tipos de cirurgia que faz uma cirurgia desabsortiva e uma cirurgia que é restritiva e desabsortiva. Então, eh, existe a possibilidade de você só diminuir o estômago, existe a possibilidade de você só desviar o intestino e existe a possibilidade de você fazer as duas coisas. O desviar o intestino foi o que o Romário fez, né, que ficou famoso para tratar diabetes. Exatamente. Hã, eu fiz a cirurgia, que era a cirurgia mais agressiva de todas, que diminui o estômago e desvia o intestino. Essa cirurgia é uma cirurgia um pouco mais agressiva que a gente fala. Por quê? A partir do momento que você faz um desvio no intestino, esse desvio ele desabsorve gordura e carboidrato, mas ele também desabsorve. Então, pro resto da minha vida, eu vou precisar fazer uma série de suplementações, enfim, específicas pensando nisso, né? O cabelo cai, enfim, eh, não absorve ferro, não absorve vitamina B, uma série de coisas que eu vou ter que fazer pro resto da vida. Mas deixa, eu eu vou te interrompendo, tá? Pra gente indo no só para não perder o fio da meada. E aí, no caso, eh, a do estômago, antes da gente chegar em você ter mudado para Floripa, entrado na graduação, eh, a do estômago é aquela que tem muita recidiva porque o estômago é elástico e aumenta de novo. Isso. Ela se chama sleeve. Sleeve é uma manga, né, que você faz. Então, o estômago ele é um reservatório e o que você vai fazer no sleeve é deixar ele só um cano, tira um cano, tira aquela parte toda do estômago, que é onde reserva alimento. O que acontece realmente é um órgão elástico, né? Aí no caso a pessoa não tem fome ou se cheia rápida, ela sente fome, ela passa a produzir uma quantidade menor de de leptina, de de di fere toda a questão hormonal ali, mas ela não consegue comer. Entendi. Então eh se recomenda bastante essa cirurgia para quem não precisa perder tanto peso ou como uma ponte entre e a pessoa fazer essa cirurgia e depois fazer uma cirurgia mais agressiva de uma obesidade super mórbida. Hoje não se faz mais tanto com o advento das medicações dos análogos de LP1, então ela vai ter uma perda de peso semelhante ao que tem uma pessoa usando um uma semagutida, uma tisepatida. Então não é mais tão recomendável. E aí no caso do estômago não tem recidía, porque tu tirou o estômago, o desculpa, do intestino. O intestino não tem o que fazer. Essa parte desviada do tanto do estômago quanto do intestino continuam aqui dentro de mim, mas é um órgão morto, tá? tá ali vascularizado e tal, mas ele não tem função dentro do meu corpo. E aí se parou de fazer essa cirurgia hoje em dia, justamente por conta disso, porque tem risco de virar um câncer, enfim, né? Tem tem riscos do de ter um órgão morto dentro do corpo e tem as alternativas que a gente vai falar depois, né? Das canetinhas. Tem alternativa. Vocês Bom, desculpa aí só pra gente entender o o E aí você fez então as duas, né? Você tirou o estômago e tirou o intestino. É, porque faz faz muito tempo que eu fiz, né? O médico que eu fiz foi lá no interior do Paraná. Enfim, era um médico bem eh agressivo, assim, ã. E aí vim para cá depois de ter feito a cirurgia. Enfim, no começo perdi bastante peso. Foi foi um negócio bem bem chocante para mim assim, porque vir para um lugar novo, morar sozinha, numa faculdade nova, que é uma faculdade puxada, enfim, é uma faculdade de período integral, eu estudava, eu trabalhava durante a faculdade e e ainda tinha questão alimentar, enfim, perdi bastante peso ali na faculdade. E assim eu terminei a faculdade e tinha perdido mais ou menos 50 kg durante a faculdade. E uma coisa que eu gosto de falar também é assim, ó. Eh, durante a minha faculdade, eu consegui entender que a cirurgia corta o estômago e não corta a cabeça. E levou um tempo até que isso acontecesse, né? A, eh, tratar a cabeça, tratar o comportamento alimentar é uma coisa muito importante, pensando em nunca mais querer voltar aquela pessoa de 120 kg. Mas até então não tinha um entendimento de que eu era uma pessoa com um diagnóstico de algum problema alimentar. na tua cabeça assim, bom, vamos resolver a parte de eu não consegui comer e resolveu. Ah, e resolveu de durante um tempo, né? E qual que é o porque, por exemplo, a gente acho que o caso mais famoso de de programa nessa área é aquele doutor, o Debk loser, não, o o aquele que é bravo com todo mundo. Você não pode ter tomado, você tomou o oceano inteiro de água porque como é que você não emagreceu? Ele dá um xingão na galera lá. E ele não recomenda para algumas pessoas, justamente, imagino que porque a pessoa não tem a cabeça para isso ainda, né? Porque quando a gente vai pensar assim em qualquer tipo de distúrbio alimentar, vamos lá, a gente tem que pensar que existe uma coisa que nos leva a comer, um impulso que nos leva a comer, e existe uma coisa que controla a quantidade de comida que a gente come. E o que a cirurgia faz é controlar a quantidade de comida que a gente come, mas o nosso impulso de comer continua ali, né? Então, eh, se isso não for tratado, se, por exemplo, uma pessoa come porque ela é ansiosa, ela vai fazer uma cirurgia no estômago, ela vai continuar ansiosa. Se uma pessoa come porque ela tem uma compulsão alimentar, ela vai fazer cirurgia e os episódios de compulsão, eles vão continuar. É claro que ela não vai conseguir comer uma grande quantidade de comida, mas ela vai repartir a comida dela em várias vezes por dia. Ou ela vai começar a beber ou ela vai começar a comprar. Uhum. Eh, eu tenho paciente dentro do consultório, por exemplo, que deixou de ter compulsão alimentar e começou a ter compulsão por sexo. É, eu pegava muito com álcool. Nossa senhora, comum muito porque desce, né? O álcool consegue descer, não precisa ficar contido dentro de de uma câmera gástrica ali o álcool. Então, é fácil para descer. E como é que é perder 70 kg? Tipo, você teve alguma questão de imagem assim, tipo você solta pessoa? Tem, tem. É, na verdade assim, ó, o que acontece era uma outra Tamires, tá? A impressão que eu tenho hoje é que aquela pessoa era outra vida. E realmente, né, um negócio diferente de você hoje. É outra pessoa. Eu vejo foto minha de antigamente nem tem muita foto, né? Se abrir meu Instagram, ele tem três fotos. Não devia gostar de bater também, né? Não, não gostava. Eh, tem uma um diagnóstico de de transtorno dismórfo corporal que é o quê? Tu tu olhar e não não vê que aquilo dali é aquilo dali. Eu eu hoje, por exemplo, se eu ganhar 3 kgs, eu vou olhar no espelho, eu vou achar que eu tenho 120 kg de novo. Então isso é uma coisa que precisa também ficar atento para eh desenvolvimento de doenças relacionadas a isso, né, que é comum. E por que que quando você tava se apresentando você falou: “Eu sou obesa”. Porque isso eu vou me tratar pro resto da vida. Vamos lá. No cerne da questão, o que que é obesidade? Primeira coisa que se define, uma doença crônica. Então, eh, o meu corpo sempre tende a voltar pro meu peso mais gordo. Meu metabolismo tenta, as células de gordura que murcharam e não foram embora, elas continuam me pedindo a energia que eu tinha de antes. É que hoje eu não consigo comer aquela quantidade, mas a a obesidade é uma coisa que vai me acompanhar pro resto da vida. É uma vozinha que vai ficar aqui, que vai ficar falando, ó, volta para aquele peso, volta para aquele peso. Você precisa acumular aquela energia. E aí todas as vezes que que a gente vai sentir fome, que a gente vai sentir aquele desejo de comer, a gente vai sentir muita vontade de ter aquela energia que a gente tinha. Claro que eu não tenho a mesma energia que eu tinha quando eu tinha 120 kg, né? Eu tinha muito mais energias tocado, né? Então é é uma coisa que eu vou tratar pro resto da vida junto com esse diagnóstico de compulsão alimentar, que em alguns momentos vai est melhor ou pior, claro, né? por circunstâncias da vida, mas isso é uma coisa que vai ser tratada pro resto da minha vida. O meu pai teve problema com alcoolismo, né? E até hoje ele pisa em ovos, assim, ele se entende também como um mesmo não bebendo sei lá quantos anos, tem que pisar em ovos, porque senão é, eu eu acredito que assim, em algum momento vai se falar em vício, em comida, né? É, é uma Eu acho. E é um um vício, ele é maldoso com a gente, assim, porque é muita oferta. Eh, só pra galera entender, eh, talvez no senso comum você escute em comida, etc., mas na ciência ainda não tem e a isso definido, né? Um diagnóstico de vício em comida. a gente, embora a pessoa possa ter um comportamento com a comida muito parecida do que um sujeito tem com cigarro, por exemplo. Eu lembro na minha no meu ensino médio tinha um rapaz lá que ele também era bem gordinho assim, ele comia, ele levava para comer no intervalo doce de leite, caixinhas de doce de leite. Ele abria e comia duas caixinhas de doce de leite. Isso é claro, um transtorno, né? Um negócio muito fora da do normal, né? Do que a gente chama de normal. Você quando você fala assim até paraa galera entender, já que a gente tá nesse âmbito pessoal, né? Normalmente eu não pergunto muito no âmbito pessoal, mas como é a tua história é um dos pontos do podcast, o que que é um episódio que você tinha de compulsão pro pessoal que tá em casa que é assim, é bem importante explicar isso, porque eu recebo muito paciente dentro do consultório falando: “Ah, eu tenho compulsão”. A gente até manda um questionário pros pacientes pré-consulta e aí n tem uma pergunta no questionário falando: “Ah, você acha que você tem compulsão alimentar? 90% das pessoas que respondem sim não tem. Eh, um episódio de compulsão alimentar se caracteriza principalmente por uma quantidade muito grande de caloria em um episódio muito pequeno de tempo. Isso é um episódio de compulsão alimentar, tá? Diferente de um diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar. Transtorno de compulsão alimentar é a recorrência desses episódios, tá? Num num certo tempo, com uma certa frequência. essa quantidade absurda de caloria que a pessoa come, eh, ela não escolhe o que ela vai comer. Então, ah, eu tenho compulsão por doce, não. Eh, se tiver comida estragada na geladeira, vai ser comida estragada, tá? Eh, por exemplo, assim, ó, uma pizza de oito fatias seguidas de um prato de arroz e feijão com brócolis. Quando terminar tudo isso, três barras de chocolate, acrescido de 2 L de Coca-Cola. Eh, junto com isso, geralmente, eh, esses episódios as pessoas comem escondido, então eles têm vergonha porque tem uma noção de que isso tá acontecendo. Ã, eles vêm com um sentimento de culpa acompanhado. Eh, quando termina aquilo tudo que a pessoa realiza, que ela fez tudo aquilo, ela consegue entender que que tem alguma coisa muito errada. Então, vem esse sentimento de culpa e pode ou não estar relacionado com episódios purgativos. esse exercícios é tomar laxante, enfiar o dedo na guela, vomitar, eh, no outro dia de manhã acordar e fazer muito exercício físico. Isso se assemelha muito com a pessoa que usa droga, tá? E é por isso que o vício em comida, enfim, a mesma neurofisiologia ali do negócio de de dopamina e de precisar sempre de uma quantidade maior e de você forçar comer até passar mal, eh desafiar o próprio corpo, isso tem muita relação. Quando que isso passa a ser um transtorno? Quando isso eh começa a acontecer nos últimos seis meses, mais de duas vezes por semana, eh com episódios que vão piorando de cada vez. geralmente relacionadas com algum tipo de desestabilidade emocional. E quando a gente fala essa quantidade de comida, eu sempre pergunto pro paciente, você acha que é uma quantidade assim que você come até passar mal? Ai não, eu belisco um pouquinho ali no almoço, depois do almoço, eu passo a tarde inteira beliscando. Isso configura comer ansioso, tá? Não tem nada a ver com Não seria um episódio. Tem que ter essa quantidade assim absurda, sem escolha, tá? Ah, eu vou parar e eu vou escolher se eu quero comer arroz e feijão ou se Não, não conseg um exemplo real assim seria o que a pessoa realmente comer uma pizza, um prato de feijão depois e uma barra de chocolate e um leit de coca. Isso realmente seria um já aconteceu comigo tipo três. Mas tipo assim, isso não é um exagero seu. A pessoa tem pessoas que normalmente fazem isso. Exatamente. Sim, sim, faz, faz, acontece. E e geralmente isso a pessoa faz escondido. Eu tenho paciente, por exemplo, aí antes de ir buscar meu filho na escola, eu paro no supermercado e compro cinco pacotes de salgadinho. Entendi. E três barras de chocolate. Eu como no carro para ninguém ver que eu fiz isso junto com Coca-Cola e tal. Aí eu escondo tudo aquilo dali, aqueles pacotes, jogo no lixo antes que alguém veja, porque eu não tenho coragem de fazer isso em casa, que se eu fizer meu marido vai achar ruim ou eu não tenho coragem de fazer na frente dos meus filhos, porque eu não quero dar esse exemplo, né? Então isso daí caracteriza bem, é bem diferente de uma pessoa ansiosa que tá ali belescando o tempo todo. Sim. E aí no caso a bariátrica te resolveu também isso? Porque você não não não resolveu isso. Isso é propriamente um distúrbio dopaminérgico como Não, não. Perfeito. Talvez a palavra que eu tenha usado tenha sido errado, mas assim, você deixou de comer essas quantidades de comida porque não tinha espaço. Como? Como? Tem episódio de compulsão. Como? Desse jeito, tá? Como passo mal, quase morro, tito, respiro, porque daí quem quem fez esse tipo de cirurgia que eu fiz, eh, pode ter uma coisa que chama síndrome de dumping. Eu não sei se já ouviu falar, tá? O que acontece quando uma pessoa tem síndrome de dumping é uma coisa que se fala que é sensação de morte. por conta do alimento passar por um um reservatório que antes deveria ser um reservatório e passa a ser um tubo, ele passa de maneira muito rápida pelo trato digestivo. E isso faz com que o pâncreas libere uma grande quantidade de insulina. Essa quantidade muito grande de insulina que o pâncreas deposita ali não condiz com a quantidade de caloria que a pessoa comeu. E aí ela faz um quadro de hipoglicemia muito grave e a pessoa tem uma sensação de morte realmente taquicardia, taquipneia, sudorese e tal. Geralmente isso acontece com alimentos que são com uma quantidade muito grande de açúcar e que alimentos que são mais líquidos, tipo batata para dar dumping. É milkshake. Milkshake entrou que é passa rapidaço, muita insulina, hipoglicemia, daí é sensação de morte. Ã, acontece comigo ainda, tá? É uma coisa que, claro, trato, enfim, tomo remédio e vou tomar pro resto da vida. Graças a Deus tem remédio para isso. Ã, mas enquanto existir doença, acho que existirei ali nela, né? Eu eu tento controlar, porque claro que hoje a quantidade de comida que eu consigo comer tende a ser menor por conta do meu reservatório ser menor, mas se eu tiver atacada assim, ah, me deu um episódio, eu vou comer. Uhum. Uhum. Uhum. E como é que funciona? Porque eu fico imaginando assim, se eu tivesse essas essas e condições, eh, eu ia ao médico e aqui eu não quero descabilizar o médico que nunca teve essas condições na vida e tal, mas eu i eu ir para você lá, eu acho que primeiro que se eu soubesse que você tem essa, teve essas condições, eu acho que eu ia vincular mais, ou melhor, não é que eu ia vincular mais, acho que eu ia ter menos resistência para vincular, porque eu tô falando com uma pessoa pessoa que viveu o que eu tô vivendo, vive o que eu tô vivendo, né? Eh, no seu consultório, imagina que você veja os pacientes, imagina que você tem muito paciente com essas demandas, né, de obesidade. Tem muito paciente com obesidade, com compulsão elementar menos. Mas muitos que acham que temidade chegar lá no quando você vê o sujeito com obesidade, você já sabe todas as, né, as objeções de vida que às vezes a gente não comenta tanto na mídia, ah, medo de bater foto, tudo aquilo lá. Eh, você tenta explicar para eles que obesidade é uma doença, porque eu sinto que o pessoal é resistente a essa ideia. Eu não sei se você sente essa resistência em rede social, mas ou se isso chega para você na sua bolha. Mas quando você fala assim, eu sou obesa, né, e dá para ver que você, pelo menos de corpo, não é obesa, eh, ou corpo físico, né, e tal, eh, eu sinto que, pelo menos na minha bolha, assim, uma parte enorme da psicologia brasileira entende que se você falar que obesidade é doença, você tá patologizando o paciente, tá tratando, botando nele uma condição. É, eu acho que o que acontece pior assim da da resistência é por conta de medicação. As pessoas são resistentes a usar medicação para obesidade, que é uma coisa que em última instância tem caráter estético. É, é porque eu digo assim, só para para você entender o que talvez tenha ficado meio vago, o cara que é obeso e tá sofrendo com aquilo, ele não ele não ele não liga muito de entender que é uma doença, né? Não, ele quer resolver com a doença, ele quer resolver o problema. Exatamente. Ele vai ao médico porque ele sabe que tem um problema. Mas, mas ele não consegue, no geral, ele não consegue identificar qual foi o distúrbo que levou ele a chegar ali. Ele só acha que ele come demais, porque é o que você fala: “Ah, você come demais, você não faz atividade física, você não gasta aquilo que você come, então pronto, tu tu tá gordo por causa disso. Não, não, claro, as pessoas não buscam filosofar no geral, não buscam muito filosofar sobre isso. Ah, tem uma cirurgia, não, mas eu não sou tão gordo assim, então não acho que eu preciso de cirurgia. Ah, tem um remédio, pô. Mas vai usar remédio. A galera é resistente, mesmo com essas canetas agora e tal. Mesmo com as canetas, bastante resistência. E assim, eh, vamos lá. Eu tento explicar. Se você tivesse pressão alta, usaria antipertensivo. Se tivesse diabetes, usaria insulina. Se você tivesse gota e usar remédio para gota, tá tudo bem, né? Vamos lá. tem a necessidade de usar remédio. E às vezes não é o remédio para tratar a obesidade, mas de repente é a compulsão. É mais importante tratar isso. Tratando a compulsão, a gente consegue depois de alguma maneira eh tratar essa questão da obesidade com advento das canetas, inclusive, né? E uma coisa que eu falo bastante é isso, tá? A caneta não trata compulsão. Caneta não não eh tira teu impulso de comer. Ele controla a quantidade de comida. Exatamente como cirurgia bariátrica. É uma cirurgia em forma de caneta. Então, existem alguns mecanismos dentro da caneta que vão fazer com que a fome da da pessoa, eh, o food noise, assim, aquela coisa de ficar pensando em comida o tempo todo diminua, mas ela não tira fome. Então, isso é uma coisa precisa ser explicada pro paciente ali dentro da consulta, né? Ele não não pode esperar um grande milagre, não é um uma semangagutida que vai simplesmente tratar uma compulsão do paciente, bem pelo E no caso das canetas, tem essa parada de tomar vitamina também, como você toma? Tem. O que acontece é assim, ó. principal ação do análogo GLP1. Para ficar bem claro, GLP1 é um hormônio que a gente produz e a caneta é um análogo, parece com esse hormônio que a gente produz e a gente produz em muito pequena quantidade, que é um um hormônio sacietogênico, tá? faz a gente ficar saciado. Então, em primeira instância, o que a caneta faz é a comida ficar parada dentro do nosso estômago. A partir daí, você comeu a comida, ela ficou parada ali dentro do seu estômago, você vai ficar saciado por um período maior. Existem milhões de maneiras de você burlar a caneta e a principal delas é distribuindo bem a tua alimentação. Então, se você comer 10 vezes durante o dia, você consegue comer a mesma quantidade que você comeria se você sentasse para comer uma coisa de uma vez só numa grande quantidade. Então essa é a principal maneira de você burlar. A partir do momento que essa caneta, eh, que esse análogo de GLP1 promove essa saciedade, ele não tá avisando lá na sua cabeça que você tem que parar de comer. A pessoa precisa entender qual é o momento que ela vai parar de comer. Isso é uma coisa bastante importante, porque até ontem a pessoa ia lá na farmácia e ela comprava o remédio sem receita. Uhum. E aí é que mora a questão, a grande questão do estigma. Ela usava dois, três meses a caneta, ela achava que o problema dela tava resolvido e o problema tava apenas começando. Aí o que que acontece? Parou a comida dentro do estômago, certo? Ã, esse retardo na liberação da comida vai causar um quadro de disbiose, que é uma alteração na na flora bacteriana do intestino. Eh, essa alteração na flora bacteriana do intestino vai causar uma hiperabsorção de alguns nutrientes e uma hipoobsorção de outros. Eh, tem vitamina que você vai absorver mais e claro, você vai comer uma quantidade menor de comida, vai ter uma quantidade menor de nutriente, então mineral, enfim, tudo isso daí vai diminuir. Uhum. Por isso que é importante fazer acompanhamento médico para usar. E eu conheço uma galera que usa e aí come mm docinhos ali, porque come pouco já aproveita para comer gostoso e aí cabelo cai, cai unha, cai tudo, cai tudo. Vai diminuir assim, ó, tanto a cirurgia bariátrica quanto uma dieta restritiva, quanto o uso do análogo de LP1, vai restringir a quantidade de nutrientes que a gente come. Então, se você fizer dieta, cirurgia ou usar caneta, se você come menos, você vai ter menos nutriente. Isso é uma coisa lógica, certo? eh, com menos nutriente. Quando o nosso corpo entra num processo de restrição, ele não vai achar que ele precisa mandar nutriente pro teu cabelo ficar parado no lugar. Ele acha que ele tem que mandar para órgão vital, cérebro, coração, fígado, rim, enfim. Ele não vai ficar mandando vitamina B pro cabelo crescer bonito. Isso não é primordial. Então, eh, toda essa deficiência de nutriente acontece não exatamente pelo uso da caneta, mas pela restrição calórica que vai acontecer por pelo fato da pessoa tá comendo menos. E a galera consegue parar de usar caneta, Daniras? Porque assim, eu conheço um pessoal que usa, geralmente eles não têm indicação para uso. É uma pessoa que tem uma pochetezinha, um negocinho ali, quer dar um, né, perder 5 kg. Eu não, eles nunca mais pararam de usar. É porque não foi indicado corretamente, né? Mas a pessoa, eles nunca mais pararam de usar porque eles vão voltar a ter esse peso, que o corpo deles não não é um corpo obeso, então não tá preparado para ter Mas o o cara com sobre com obesidade que começa com a caneta, é ele desmama depois de um tempo ou é um tratamento? Ele pode desmamar. Vamos supor que o paciente tenha obesidade porque ele é ansioso. Então a gente vai iniciar uma medicação para ele pensando em ansiedade, uma suplementação, enfim, a gente vai botar esse paciente para dormir bem, a gente vai fazer esse paciente fazer atividade física, a gente vai deixar ele redondo, tá? deixou ele redondo, botou a caneta junto, ele vai perder o peso que ele precisa, ele vai fazer o tempo de desmame necessário e ele pode conseguir ficar sem a caneta se tratou o começo lá, se ele tá controlado da ansiedade. Ah, mas daí acontece que o pai morreu, ficou mais ansioso, que que faz? Bota a caneta, usa um tempo, enfim. saber que a que a que a medicação tá ali, que pode ajudar nesses descontroles ali é uma saída, mas entender que é uma doença crônica, né? Se fosse a pressão alta seria o antihipertensivo, se fosse diabetes, seria insulina. Inclusive, a medicação foi criada para tratar diabético. Diabetes também é uma doença crônica, deve ser tratada pro resto da vida. Então, todos os estudos que foram feitos em relação a esse tipo de medicação foram baseados nisso, em doença crônica. Por isso que quando a gente pensa em um paciente magro usando medicação, a gente tem que entender que, pô, nós vamos botar um paciente magro para desenvolver um quadro, um paciente obeso desenvolver um quadro de disbiose é uma coisa, um paciente magro nós estamos trazendo um problema para ele, certo? Se o paciente obeso, ele tiver desbiótico, tiver com intestino ruim, é pior ele ser obeso. Então depois a gente lida com essa disbiose ou enfim, a gente faz o que a gente consegue fazer agora para tirar ele desse quadro horroroso que tá que é obesidade. Mas num paciente magro a gente tá de repente a gente tá causando mais mal do que bem. Uhum. Uhum. Perfeito. E e tem bastante paciente magro que usa, né? é uma uma galera que tem bastante. Eu eu recebo paciente assim dentro da clínica. Eu não tanto, mas as outras médicas que tem lá, elas recebem paciente assim: “Ah, é que eu trabalho na rede social e eu preciso estar magra porque eu vou, faço provador de roupa.” Aham. Aí eu ganhei 5 kg, eu não consigo perder esses 5 kg, porque quando eu tinha 20 anos, eu perdia 5 kg em uma semana e agora com 30 anos já não é bem assim. Eu preciso perder esse peso e eu não consigo fazer isso com dieta. Eu quero usar caneta. Se você não me prescrever caneta aqui, eu vou sair daqui de dentro, eu vou ali no vizinho, ele vai prescrever. Acontece bastante. É, imagino. Você criou um método, né? Método TC. explica pra gente qual que é a ideia desse método, pilares, no que que ele se sustenta. Então, assim, eh, diante de toda essa experiência pessoal que eu tive com emagrecimento, eh, inclusive eu tive uma experiência de ser extremamente sedentária. Eu sempre odiei fazer atividade física e quando eu era criança, minha mãe me botava vôlei, ginástica, olímpica, tudo que você imaginar, já tentei, eu gostava de ficar parada mesmo. Hã, quando eu pensei em estruturar um método de tratamento, o que eu pensei é que eu gostaria que os pacientes tivessem o mesmo insite que eu tive. Eh, claro que hoje tem advento de medicações, enfim, que são medicações um pouco mais específicas, mas eh eu pensei em fazer com que eles vivessem a experiência que eu vivi tanto em relação à atividade física, quanto melhora na qualidade de vida mesmo. Eh, eu entendi que um paciente que precisa emagrecer, se ele não dormir, ele não vai conseguir emagrecer. Ele não produz hormônios que fazem ele emagrecer. Eu entendi que se ele usar uma caneta ou se ele fizer uma cirurgia bariátrica e ele não fizer atividade física, ele vai emagrecer, só que ele não vai conseguir sustentar isso. Se ele tiver uma alimentação que não é uma alimentação adequada para aquele emagrecimento, a célula de gordura da gente tende sempre a voltar nosso peso mais gordo. Então, foi pensando nisso tudo que eu estruturei esse método de tratamento, onde todas as pessoas que trabalham ali dentro da da clínica vivem isso e e pregam muito isso, porque é uma coisa que eu vivo comigo e eu acredito bastante. é baseado principalmente em em gesta de água, sono, alimentação, atividade física, funcionamento do intestino, mas principalmente pensando em saúde mental, que é é onde eu vi assim dentro de todos os médicos, nutricionistas, psicólogos, tudo que eu já tinha consultado na vida, era o que eu via que faltava em relação a emagrecimento. não pensar nisso como uma coisa isolada assim, ah, eu vou no nutricionista para falar sobre alimentação, eu vou no e educador físico para falar sobre atividade física. Não é juntar tudo isso e fazer com que as pessoas entendam que o conjunto disso vai fazer com que a pessoa não só emagreça, mas consiga manter aquilo dali a longo prazo. Uhum. Foi pensando nisso que que foi criado. E da galera que chega lá no seu consultório, eh, com essas condições, né, obesidade, etc. Como é que é a saúde mental? Geralmente imagino que é claro, vamos, vamos lá. Tem uma amostra viciada, né? Sim. Eh, muito dificilmente o paciente que vai chegar ali é uma pessoa bem Não, não, não. Mas é isso mesmo que eu tô perguntando. Tô perguntando assim, você acha que ele 100% tem algum transtorno questão aliment? Existe uma pessoa que esteja acima do peso, que não tenha algum tipo de comportamento alimentar eh diferente ou ou transtorno de ansiedade, depressão, difícil. Não, eu não tenho nenhum. Claro, pode existir, mas eu eu devo ter hoje dentro da clínica pelo menos uns 300 pacientes que estão em acompanhamento ali, que que estão vivendo essa essa questão do método. Nenhum nenhum paciente eh não tem algum erro de Não é erro a palavra, né? Algum transtorno também, não necessariamente uma doença, mas algum transtorno, tá? Eh, a pessoa que ela consegue, eu não sei se você já não não sei se é da sua prática assistir alguma coisa sobre isso, mas uma vez eu eu assisti uma entrevista da Opra, ela falando assim que ela olhava para as pessoas magras e ela falava: “Cara, essa pessoa é uma pessoa muito forte porque ela consegue simplesmente passar por pela comida e não não comer. Ela consegue eh não estar pensando em comida o tempo todo.” E aí quando ela começou a usar medicação, quando ela começou a usar análogo de LP1, ela entendeu que na verdade não é que a pessoa é forte porque ela passa pela comida, ela não come, é porque ela não tá pensando, ela simplesmente não é uma coisa que passa é tipo, tu é uma pessoa magra que não não deve ter problema com isso, não tá pensando em comida. Tenho, eu tenho umas questões que eu tenho que lidar, mas eu fui um aprendizado durante a vida. Quando eu era adolescente, eu não tinha sobrepeso e nem obesidade assim, mas eu era mais cheinho. Se eu se deixar, eu como, adoro comer. Eu eu eu sinto eu eu tenho um, acho que um traço de personalidade de não é nem um traço de personalidade, eu sou meio ansioso, sabe? Hum. Então eu rouo unha, eu Por isso que eu faço muito exercício, por isso que eu durmo bem e eu entro de cabeça, escrevo, faço um monte de coisa. podcast, 1000 coisas ao mesmo tempo, porque eu preciso dar vazão para isso. Então, por exemplo, uma das coisas que eu tenho que eu treinei muito, acho que uns na foi na pandemia que agravou, tinha uma época que eu atendia na clínica de psicologia remota em casa, né? Eu trabalhava em casa na pandemia, que eu comecei a atender mais, eu atendia oito pacientes por dia. E tu sabe que isso é muito pesado, né? Era uma desgraça. É, o meu jantar eram 15 minutos ou meia hora às vezes entre um paciente e outro. E o que que aconteceu? Começou a acontecer, eu comia muito rápido, muito rápido. Aí terminava. Eu sempre tive uma prédisposição a comer mais rápido. Aí na pandemia isso se agravou. E aí depois que eu percebi que isso tinha se agravado, eu comecei a olhar mais pr pra parte do momento que eu tô comendo mesmo. Então não é que necessariamente eu tenha problema com a comida e que fique focado em comida e tô agora pensando no que eu vou comer. Mas quando eu sentava comer, eu não senti o gosto da comida. Eu comia porque eu tinha que responder o WhatsApp, porque eu tinha que resolver o negócio do RD. Imagina o RD nasceu em um ano. Em um ano tinha 70.000 me assinantes. Minha vida mudou do nada e tinha que ter governança, contratar gente, organizar. Agora tá tranquilo. Eu nem sei o que eles estão fazendo do lado direito. Agora eu tô tô mais tranquilo. Mas no início era primeiro ano, eu não fiz o número dois sem pensar em trabalho. Foi um negócio colossal assim. E aí eu comecei a comer muito rápido, sempre olhando o celular, respondendo coisa. E aí uma vez falando com o meu psicólogo na época, ele me perguntou um negócio que eu fiquei estarrecido assim. Ele falou: “Cara, qual que foi a última vez que você sentiu o gosto do alimento? Você lembra do último gosto do alimento que tu comeu?” E eu não lembrava. Falei: “Realmente eu não sei. A última vez que eu comi e senti o alimento, a textura, o calor do alimento, a temperatura do alimento, o sabor do alimento, sei lá, nos últimos seis meses eu só coloquei para dentro. E aí eu eu comecei a perceber que nesses momentos às vezes eu comia demais. Então pedia dois hambúrguers, batata e eu comia e nem sentia, sabe? Era na verdade tu comia no teu corpo tava desesperado clamando por energia, né? É exato. Era o que viesse na frente, porque provavelmente passava períodos longos sem comer e aí a hora que vai comer, teu corpo tá clamando e geralmente é carboidrato, né? Exatamente isso aí. Exatamente. E aí hoje então eu eu eu eu o momento da refeição é quase que um momento meio meditativo para mim, sabe? Mindfulnessão. É o mindful eing. Eu sento como presta atenção no alimento, não olho o celular. Então, a minha interação, apesar de eu não ter um grande problema, a minha, isso é curioso, porque, pô, se uma pessoa, tipo eu, assim, que não tem um transtorno alimentar, né, não tem obesidade, ainda assim a configuração do mundo me empurrou para um lado de ter uma dificuldade com alimento e eu tive que pensar, não, eu quero comer com calma, sentir o gosto do alimento. Imagina uma pessoa que é menos instruída, menos esclarecida, que às vezes só vai e vai, vai, né? a chance de se escorregar para um problema. É, e assim, ó, vamos lá. Tem algumas questões que te favorecem. Tu deve ter uma genética mais para magreza do que, né? E tem também uma questão de que você faz muita atividade física. De repente, se em algum momento, por exemplo, você rompe o ligamento do joelho, tem que ficar parado, talvez nesse momento você ganhe peso. Pois é. Exatamente. Então é, no geral a gente vê essa característica num homem que é tem um pouco mais de facilidade para perder peso, para controlar a ansiedade, para descontar essa ansiedade fazendo atividade física. Isso é uma coisa que eu vejo dentro da minha prática clínica. Claro que eu atendo muito mais mulher, mas eu vejo que homem assim, ó, quando ele bota no foco que ele vai emagrecer, ele faz muita atividade física. E isso, atividade física, a gente sabe assim, ó, exercício físico de fato não emagrece, mas ele eh descontar a ansiedade dele que ele poderia estar descontando comendo, vai fazer ele perder peso. Uhum. Eh, a atividade física que ele faz ali durante o dia, talvez, claro, diferente num triato, um negócio um pouco mais puxado, mas ah, tu ir pra academia ali fazer 40 minutinhos, não vai emagrecer. É, você come uma, um biscoito repôso, tudo, repôs, repôs tudo que tu comeu. Então, é, agora eu entendi agora o fato de tu ir pra academia e ficar mais relaxado e não comer muito depois, aí se tu comia porque tu era ansioso, daí tu descontou tua ansiedade fazendo um exercício, já não vai comer tanto aquela emoção. Ex. Exato. Tu dorme melhor, né? Enfim, exato. Tu tu cansa para poder dormir, daí enquanto tu dorme tu não tá comendo. Esses episódios que que são de comer mais, geralmente eles são no final do dia. Então se no final do dia tu tá cansado, tu quer dormir, tu não vai querer comer. Uhum. Uhum. E provavelmente os episódios que tu tinha que tu comia demais, era final do dia, sempre à noite. Deixa eu te perguntar. Eh, você agora tá trabalha muito com mulheres, você comentou, né, com essa demanda de obesidade e tal. Você se formou em que ano? 2018. Ah, tá. Você já se formou nessa época, né? nesse universo de bastante rede social no Brasil, né? Mas ainda pegou pré-pandemia. Você você acha que não tinha quando eu tava terminando a faculdade não tinha ainda, não tinha, não sei se se eu não vivia ou enfim, não tinha você não vivia. Eu também falei pô, mas esse negócio cresceu. Falei depois descobri que é desde 2015. 15. É, a galera começou a lançar infopruto e tal por lá. 2015, 2016, a gente tava numa bolha. fazendo meu mestrado igual que você atendendo pessoas com uma facada no coração. Isso. Eh, você acha que rede social influencia muito pra galera que tá em casa assistindo essa parada com o corpo assim de querer? Porque o Jonathan Heid escreveu um livro recentemente chamado Geração Ansiosa ou Geração Ansiedade, alguma coisa assim, que ele é que eu li no inglês, eu não sei como é que foi o título em português. Ele, basicamente a tese do livro, ele fez um levantamento gigantesco na literatura. assustador o que ele fez, assim, sei lá, deve ter tranquilamente mais de 6.000 páginas, não livro, mas 6.000 páginas de abstract de artigo científico que ele levantou na sobre o efeito da rede social, uso de rede social em saúde mental. Ele compilou tudo isso num livro chamado Geração Ansiosa, acho que o título em português. E basicamente a a a conclusão dele, desse levantamento todo, é que a rede social tá acabando com a saúde mental da galera. Nem precisava de 6000 páginas, né? E em especial, e acho que isso também é bastante chocante, em especial e de forma significativamente maior em mulheres. O livro aponta que as mulheres, meninas, adolescentes, jovens adultas são muito mais prejudicadas por conta do uso das redes sociais. Eu não sei exatamente o porquê. Ele também não. A tu me ouviu falando aqui que o paciente chega para mim falando que, ah, eu quero fazer um provador de roupa. Pois é. Como é que essas mulheres com obesidade que chegam lá para você, elas têm essa questão ou você acha que é uma preocupação com saúde? Envolve estética? Qual que é o a saúde? Assim, ó, tu convence a pessoa que ela tem que usar remédio por conta de saúde, mas ela vem por questão estética. É estético, é com toda certeza. Ninguém gosta de entrar em uma loja de roupa e não achar roupa para vestir. Ninguém gosta de eh o marido olhar pra mulher do lado e falar: “Ó, ela tá mais magra que você”. Deixando de lado as questões tóxicas, enfim. Eh, existe uma sociedade que é uma sociedade que impõe magreza. Roupa foi criada para mulher magra. Se você vai num restaurante, uma porção de comida foi criada pra pessoa que come pouco. E tudo isso influencia diretamente no na gente buscar uma magreza. né? Eh, como padrão estético. Então, eu digo 99% das que vêm vem porque tem uma questão estética. a gente prende a pessoa no tratamento explicando para ela que aquilo dali vai muito além disso, que o a chance dela ter câncer, a chance dela ter doença intestinal, a chance dela ter uma série de coisas aumenta por conta da obesidade. Eh, e a gente vê, por exemplo, na Inglaterra se distribui hoje caneta pelo pela saúde pública, porque diminui o gasto que o governo vai ter com o obeso. É muito difícil. Eu trabalhando na emergência, chega um paciente obeso, 150 kg. Se eu tiver que entubar esse paciente, é muito mais difícil. Eu uso muito mais droga. É difícil você induzir uma uma anestesia num paciente desse. É tudo se torna mais difícil. É difícil você mobilizar esse paciente. Para você mobilizar um paciente no leito, precisa de duas técnicas de enfermagem. Se for um paciente de 150 kg, precisa de quatro. Então tudo isso influencia na na questão de saúde, mas hoje as pessoas vem buscar a gente, não é por conta disso, é por conta de estética mesmo. É estética com toda certeza. E aí depois que que então você amarra o paciente lá, ele chega pela estética, você pesca ele pela estética e aí depois há um programa de convencimento ali para mostrar para ele a importância da saúde, né? Exatamente. Aí, aí assim, ó, o paciente começa, ah, faz exame, vai vir um colesterol, toda pessoa, toda pessoa obesa é uma pessoa doente. Ela pode não estar com exames alterados nesse momento, mas ela vai estar. Se ela continuar daquele jeito, ela vai estar. Eh, o colesterol dela vai est alto em algum momento, talvez. Ah, não, mas eu tenho 30 anos, meu colesterol tá lindo, maravilhoso. Agora, porque se você continuar assim, não vai continuar bom. é uma questão de tempo. Então isso é uma coisa que eu eu tento amarrar para explicar pra pessoa o quão vantajoso pode ser ela tratar tudo isso. E às vezes assim, né, e eu criei esse método de tratamento baseado em seis pilares e eu nunca vou conseguir convencer o paciente que ele tem que viver aquele seis de uma vez, tá? Tanto é que eu comecei a fazer atividade física faz do anos. Eu não não achava que, não, eu não gosto, eu não vou fazer, sou uma criança birrenta e eu não preciso, eu consigo viver bem, comendo pouco e eu não vou engordar assim. Então, eh, o paciente vai chegar, vou falar, ó, pra próxima consulta, que que eu preciso de ti? Eu preciso que tu coma bastante proteína. Dali três meses ele vai consultar de novo. Ó, eu preciso que tu tome 3 L de água, ó. Dali três meses a gente precisa ajustar a questão do teu sono. Então, sempre é uma coisa de cada vez, não fazer muita coisa para ele fazer tudo para que ele consiga aderir e para ele entender também que muita coisa de uma vez não vai ter resultado. Ele vai largar em algum momento, ele vai cansar. Você tinha comentado no início aqui que eh você achava que resolvendo a parte do seu corpo resolveria tudo, né? Imagina que a gente tem algumas pessoas aqui assistindo esse episódio hoje e elas estão pensando em fazer ou não sei se faz hoje bariátrica ainda faz bastante por causa das canetas ainda faz bastante ou uma bariátrica ou vai começar um tratamento com a caneta partindo da ideia estética, né? já que, bom, as pessoas estão buscando esse tratamento e uma dos principais motivos que você relata de quase todo mundo ali é a estética. E essa pessoa tá assistindo agora e ela tá ali naquele negócio, é a Tamires de 2009, 2000, no início da tua faculdade, eh, um pouco antes do início da tua faculdade, pensando que quer mudar de vida, que quer mudar, que e tá com aquela expectativa de que, bom, agora eu perco peso, eu vou conseguir resolver a coisa, né? Vou perder peso. Que que você diria para essa pessoa? Bom, eh, quando eu fiz a minha cirurgia, não, não existia caneta, né? Então, eh, uma coisa que se deve, eu penso que tem que falar pro paciente, é tentar. Então, vamos tentar fazer alguma coisa antes de pensar numa cirurgia, que é uma coisa pro resto da vida. Eu, pro resto da vida, eu preciso repor ferro na aveia, eu preciso fazer vitamina B injetável, e tem uma série de coisas que vai acontecer eh como consequência de uma cirurgia. É uma cirurgia. Tu tá tirando invasivo, né? Tirando um órgão de dentro de ti. A verdade é essa, é um pedaço que é teu, tu vai tirar aquilo dali. Eh, então eu acho que vale a pena a tentativa, vale a pena tentar fazer tratamento com medicação. Eh, muitas vezes o que acontece é que por uma questão financeira não é barato caneta, né? E por uma questão financeira às vezes o plano de saúde vai cobrir a a cirurgia bariátrica. Eh, então o paciente opta por isso, mas uma coisa que eu prego bastante é caneta, cirurgia, qualquer coisa, a cabeça precisa ser tratada, porque mesmo o paciente usando a caneta, quando ele quer comer, ele não usa caneta. O paciente que ele faz uma cirurgia bariátrica, ele consegue burlar a cirurgia bariátrica, ele consegue dividir a refeição. Então, tratar a cabeça, tratar o comportamento alimentar do paciente, explicar para ele porque que ele come, porque ele tem uma compulsão, porque ele tem depressão, porque ele é ansioso, enfim, porque diversos motivos, é o que vai ser a chave do tratamento, independente de ser caneta, de ser bariátrica, de ser apenas uma dieta. Tem paciente que chega lá e simplesmente não quer usar remédio, não quer fazer cirurgia bariátrica. Pensar que existe um comportamento alimentar que faz ele comer de maneira errada e que faz ele se tornar obeso. É uma coisa muito importante. Eh, eu eu nunca vou tentar convencer meu paciente que ele tem que fazer alguma coisa. Eu vou tentar fazer ele entender que que tem alguma coisa errada ali, até para ele ficar tranquilo, né? Tipo, tu tu não tá obeso porque tu come demais, não faz exercício. Eh, eh, tem uma questão metabólica, tem uma questão que envolve mais do que isso, né? É mais do que um balanço energético errado, não é só isso. Então, não tem regra assim dentro de, ah, eu vou convencer essa pessoa de que ela tem que fazer cirurgia bariátrica. A cirurgia bariátrica é pro resto da vida. Tem suplementação que vai ter que fazer pro resto da vida, tem suas vantagens. E quando eu falo em vantagens, é, é uma coisa definitiva, né? Mas já aconteceu comigo, por exemplo, eu fazia 7 anos que eu tinha feito cirurgia bariátrica. Durante a faculdade, eu fui fazer um um período da faculdade fora do Brasil, Morei na Suíça, eu engordei 15 kg, porque eu comia basicamente carboidrato, café da manhã, no almoço, no jantar. Eu não comia proteína lá, só comia, né? E na Suíça era tudo muito caro, absurdamente caro. Não tinha dinheiro para comprar carne assim. Eu comia pão no café da manhã, macarrão no almoço, macarrão no jantar, voltei depois de 6 meses, 15 kg mais gordo com bariátrica. Então isso não é uma coisa definitiva. Eu conheço pessoas que já fizeram bariátrica três vezes. É, eu também já conheci. E volta o peso, tá? Volta porque Pois é. E aí se essa pessoa que tá aqui assistindo e ela tá, o que que você diria para ela no também no sentido da expectativa dela de que eu vou resolver emagrecendo? Você vai emagrecer, tá? tanto com remédio quanto com a bariátrica. Dificilmente não emagrece, mas eh o que vem depois não é a pílula da felicidade. Pois é, isso aí que eu queria que você chegasse. Ela essa expectativa, tipo, agora eu vou alcançar, agora eu vou resolver tudo, vou emagrecer e minha vida vai ficar, não vai, não vai, não vai resolver. O problema é mais, mais profundo. Vamos, vamos tentar entender. É, o que o que que é que te levou a, a chegar aí. Eh, não é a pílula da felicidade. Eh, tem muito paciente que vai, você não conhece gente magra que tem depressão, não conhece gente magra que é ansiosa? Tu não conhece gente magra que tem anorexia, que tem distúrbios psiquiátricos diversos? Talvez na sua prática clínica você tenha mais paciente magro do que o paciente gordo. E isso não quer dizer que ele é uma pessoa feliz por só pelo fato de ser magro. Esse esse não é o caminho das pedras. Eh, vamos realmente tentar pensar na na controlar essa expectativa, né, de que vai resolver o mundo. Controlar. É, é, é assim, ó. É muito bom perder peso, tá? É muito bom você chegar num lugar, as pessoas falarem: “Nossa, como tu tá magra”. Nossa, e elas nunca falam assim: “Nossa, como tu tá magra, nossa, como tu tá magra, tá mais bonita”, né? Sempre falam isso. Então, isso é uma coisa que vai gerando uma alegria. E pro paciente que fez bariátrica, por exemplo, ai como tá magra, tá mais bonito. Tá magra, tá mais bonito, daqui a pouco ele começa a engordar. É, exatamente. É isso. Isso é uma quebra de expectativa, porque poxa, você fez o que tinha de mais avançado no mundo, mais agressivo, né, para tratar essa obesidade. E aí daqui a pouco tu ganhou o peso de novo e aí agora tu é infeliz de novo. Você se frustrou assim em alguns momentos, tipo, no sentido de achar que tinha feito, resolvido o problema e foi descobrindo, porque imagino que no teu caso, como não, né, acho que não existia tanto universo de pessoas falando muito sobre isso, você fez lá no interior com o médico de lá que você comentou, não tinha as canetas, imagino que essa constatação de que não é a pílula da felicidade, ela foi caindo aos poucos para você, né? Como é que foi o processo de você? Demorou um tempo até que eu ficasse magra e assim, mas assim, eu eu sei, mas como é que foi o processo de você cair a ficha de que não resolveu tudo que você achou que ia resolver? Caiu a ficha que eu que não ia resolver quando eu comecei a ganhar peso, quando eu fui morar fora, porque até então era eram só flores, era tudo maravilhoso, perdi peso, eu tava disposta, eu tava feliz, pessoas falavam para mim que eu tava bonita e e isso era muito legal. Quando eu comecei a ganhar peso de novo, ligou um alerta. Eu pensei, mas eu vou voltar para aquela situação? E a situação toda era assim, ó. Eu ia ter que voltar pro interior, que era um lugar que eu não gostava de morar. Eu ia ter que voltar a ser gorda. Eu ia ter que voltar a não ter amigo, a ser pouco sociável, a não sair de casa, as pessoas me olharem de cara feia porque eu era gorda. E isso era coisa da minha cabeça, tá? Não, tipo, ninguém me olhava de cara feio porque eu era gorda. É porque eu não falava com ninguém mesmo, não. Não tinha uma questão de ser gorda ou não. Eh, tudo aquilo dali voltava. E aí naquele momento eu pensei: “Poxa, mas se eu for gorda de novo, eu vou ser infeliz.” Aí, aí é que começou a me despertar, sabe? E até então na faculdade o que eu queria mesmo era trabalhar com emergência. era uma coisa que eu que eu curtia bastante, assim, sempre gostei, sempre fiz estágio na faculdade pensando nisso, mas eh nesse momento eu acho que foi uma quebra de a impressão que dá é que você percebeu que o inimigo tava em volta ainda. Tava, ele não tinha ido embora. Uhum. É a impressão. Pois é, mas a impressão que dá, a impressão que dá aqui, que eu tô tirando da conversa da experiência aliado com a ciência é que tem um inimigo aqui perto de mim. que que no início, né, Tamires do início ou a pessoa que tá assistindo e pensa em fazer bariátrica ou uso de caneta, tem um inimigo aqui perto de mim, isso daqui vai resolver e o inimigo vai embora. Aí você começa a descobrir que o inimigo não tá ali, mas aí depois de um tempo você descobre que ele que ele voltou e aí você quebra muito uma expectativa, né, de que o inimigo E aí agora você traz já com essa maturidade de ter passado por essa experiência a ideia então de que o negocinho vai ficar sussurrando ali. Ele vai e a ideia é que ele não seja tratado como um inimigo, né? Que ele esteja ali, OK? Tem a possibilidade de eu voltar a ser gorda, tem a possibilidade. Qualquer um pode acontecer com qualquer um. Para mim a chance é maior, mas existe essa possibilidade. Mas vamos tentar eh conversar com esse inimigo e falar para ele que tudo bem, se acontecer de eu ganhar 5 kg, tem estratégia para eu voltar. Eh, manter essa constância no tratamento, no acompanhamento, enfim, tá sempre vigilante em relação a isso. E essa questão da, no meu caso, né, da compulsão alimentar vai ter que ser tratada, vai continuar sendo tratada para sempre, sempre. Claro que em algum momento em que tiver uma estabilidade hormonal, talvez isso melhore, enfim, mas eh talvez em algum momento não seja necessário medicação, talvez em algum momento seja necessário apenas a terapia. E isso é uma coisa muito importante. Eh, num paciente, por exemplo, com com ansiedade, que come porque é ansioso, também é uma coisa que ele vai precisar lidar com aquilo pro resto da vida, talvez com terapia, talvez com remédio, talvez com suplemento, com alimentação, mas vai ter que lidar pro resto da vida e não pensar nisso daí como o inimigo, como alguém que tá ali para te chicotear, para te destruir. Como é que você Como é que é o tratamento hoje de um transtorno alimentar? É psicoterapia e de medicação? O que que tem? Pensando em transtorno de compulsão alimentar, hoje tratamento padrão ouro, eles dex anfetamina. Vance é vinvance. Acho que ele foi, ele foi. Ah, não, ele usa é um uso of label, né? Ou já tá já registrado como é Venvanc, ele é uma até assim, a empresa que fabrica a medicação que fabrica VVance, fabrica Vemvância e Junev mesmo. Elisdex fetamina, tá? São a mesma medicação, existem as mesmas dosagens igualzinho. É que vemv tem estigma, né? Vamos lá. A pessoa usar vinvância é um negócio. Ele chega na farmácia para comprar vemvância e já o farmacêutico já ele olha assim: “Hum, você trabalha na Faria Lima, né?” Exato. Eh, então tem tem esse estigma e a empresa criou Gev justamente por conta disso, pensando em sério mesmo. Compulção alimenticação, sai da mesma máquina, igualzinho, quebrar a objeção. Ã, porque é basicamente um distúrbio dopaminárgico assim como transtorno de déficit de atenção e não te dá o colateral de Ah, fico ansiosa, fica ligada, fica, enfim, quando eu Tamires, médica, vou tratar paciente, é sempre doses homeopáticas, enfim, justamente por conta disso, porque o paciente pode sair do quadro de compulsão, entrar num quadro de ansiedade um pouco pior, prejudicar o sono, sei lá, prejudicar sono, enfim, eu sei, sempre peço paciente tomar medicação bem cedo para para tem um mecanismo ismo de de uma farmacocinética ali de 12 horas, enfim. E não estamos aqui pregando porque a pessoa tem que usar um remédio, mas pensando em transtorno de compulção alimentar, é isso. Pensando em transtorno de comer ansioso, a gente tem algumas possibilidades, claro, que vai se enquadrar melhor para cada paciente, mas propiona com neutrexôio também é uma possibilidade muito legal, tenho tido resultados legais também, mas tem essa questão também. Bupropiano é uma medicação que ativa a pessoa, né? Se eu tenho algum distúrbio de sono, já dá uma quebrada. Mas é o é o que tem. Nacona é uma medicação que que pensando em transtorno de compulsão alimentária é boa. Antigamente se usava muito também eh cibutramina com topiramato. Qualquer tipo de anfetamina vai melhorar, né, por conta da ação dopaminérgica. Eh, agora cbutramina é uma medicação que causa muito efeito cardiovascular, causa muito efeito colateral. Também tem a questão do estigma, tá? Paciente, chegar numa farmácia para comprar o butram é um negócio meio tenso assim. Uhum. E tem tem muita da Mas é uma medicação, por exemplo, que é disponível pelo SUS. Uhum. É. Então, então então é é possibilidade da população, né? Exatamente. Custa R$ 30 uma caixa de cbutramino, uma caixa de vemvância, custa 600. Pois é, já é uma coisa. e as canetas para corrupção alimentar. Então não não não. Então a tirepatida hoje Monjaro, ele ela é uma medicação que ela diminui, tem estudos mostrando que ela diminui food noise. Essa essa questão da pessoa tá o tempo todo pensando em comida ajuda. Ela tem uma ação metabólica, então ela vai lá no no teu centro de metabolismo, mantendo ele ativo durante o uso da medicação, mesmo com a redução da ingesta calórica. Isso é uma coisa muito boa. E a ação de de gip, ela faz quebra de gordura, eh, libera essa gordura como fonte de energia. Então isso daí faz com que o paciente fique menos cansado durante o tratamento, que era uma queixa muito comum em relação a seragutida, que era o Ozenos pique que se usava antes. Essa ação dela de controlar um pouco o food noise é uma ação legal. No geral, quando eu iniciava o paciente de transtorno de compulsão alimentar, até se meses atrás que a gente iniciava tratamento pique, colocava vemvance junto. Hoje com a tirepatida, eu tento iniciar só com a tirepatida sem pensar vem van. É como tá evoluindo essas canetas, né? Muito, muita evolução. Muito. Não sei se foi o André que me falou que não sei se foi ele que disse que estão estudando uma que você vai aplicar uma vez no mês. Uma vez por mês. Tem. E assim, ó, claro que tem. tem todo um lobby farmacêutico, né? Mas eh a questão é o que o que que se quer convencer é que antigamente quando a gente falava em remédio para emagrecer a gente tava falando de se butramin foi paraa mona, fim proporex. Esse essa classe de medicações, ela tinha dia para começar, dia para terminar por conta de risco que ela trazia pra saúde, principalmente risco psiquiátrico, né? tu usar uma anfetamina, uma droga que pode se transformar numa droga de abuso. Enfim, tem uma série de fatores que limitavam muito o uso dessas medicações. Ah, paciente com uma hipertensão descompensada não tinha possibilidade de usar. Hoje com advento das canetas, o que que a gente vê? uma série de vantagens que tá se tentando provar como eh análogo de RP1 tem sido estudado como prevenção de doença neurodegenerativa, Alzheimer e Parkinson por é considerado diabetes tipo 3. Então é tem ação principal, principalmente metabolismo de glicose. Eh, hoje tratamento padrão ouro para pra mexe, gordura no fígado é análogo de LP1. Então, a semagutida tá sendo utilizado para tratar gordura no fígado, não necessariamente para perder peso, mas para diminuir gordura no fígado. Eh, prevenção de doença cardiovascular, então promove proteção cardíaca, proteção hepática, proteção renal. Eh, todas essas vantagens são vantagens muito grandes, principalmente quando a gente pensa antigamente nas medicações. E são medicações que não têm ação direta em comportamento como um todo, assim. Então, não tem ação eh psiquiátrica neurológica como tinha uma cibutramina, uma fepramona, enfim. Então, essas são as grandes vantagens dessas canetas. E claro, o uso crônico da caneta é uma coisa que ajuda. Entenda que eu tô falando assim, tratamento de obesidade, tá? Tu usar cronicamente uma caneta num paciente que eh não é obeso, tu pode causar uma série de de desajustes ali que não são vantajosos. Perfeito. É. E como evolui rápido até os mecanismos, né, e o tempo de uso. Porque, pô, o Zenpic surgiu quando? 2000 e 20 alguma coisa, sei lá. Ele ele reina absoluto já algum tempo. O ano que vem quebra patente, então são 10 anos pelo menos, tá? Ah, então foi chegou no Brasil depois. Então chegou depois. É, mas é assim, a evolução é muito rápida. Tanto é que temos temos monjaro hoje e já temos para lançar no próximo ano já tá estudo de fase três retrutida, que é evolução. E já temos em estudo próxima evolução, que vai se colocar anticorpo monoclonal ali para quê? Para paciente perder peso e ganhar músculo ao mesmo tempo. Então assim, ó, é é de ontem para hoje o negócio, tá? evoluindo muito rápido. Essa questão do paciente usar caneta uma vez por mês é uma vantagem muito grande, muito grande. Por quê? Porque o cérebro da pessoa obesa, ele age diferente, tá? Quando a pessoa quer viajar paraa Disney e ela não quer aplicar a medicação porque ela quer comer, ela não aplica não. Ela não esquece, ela faz de propósito, tá? Esquece, ela esquece. É. Eh, então, eh, o fato de você conseguir, antigamente tinha lira glutida, enfim, essas outras medicações que você aplicava todos os dias, é, o dia que você queria comer você não aplicava. A fato de fazer uma vez por semana é uma grande vantagem, tá? É assim, ganhou um espaço gigante por acontecer, porque você se condenou há uma semana, você colocou a medicação dentro de ti, não tem o que tire de ti o efeito dela, tá? Não existe antídoto, tá ali dentro, tá ali dentro. Um mês é uma vantagem muito grande, mas a questão é, se você aplica em ti uma medicação cujo efeito dura um mês e você tem vômito, você vai passar um mês vomitando? Ah, o colateral vai ficar verdade. Você tem um colateral também. É verdade. Eu tinha uns uns colegas aí que eles usavam os medicamentos, os pique, não lembro qual que é da época, que eles faziam o seguinte protocolo de tratamento. Vamos ver se a doutora aprova. Eles tomavam segunda, terça, quarta e quinta. Aí aí eles comiam muito pouco, quase tipo, só ficavam ali no pão com água. E aí na sexta, sábado e domingo era chope, feijoada, pizza, macarrão. Aí segunda-feira de novo o protocolo. De novo. É, tem pessoas que fazem isso, né? Não, não foi criado para isso. A a ciência da medicação é outra, mas a gente tem utilizado bastante análogo de LP1 para tratar alcoolismo. Então, com grande sucesso. O paciente não consegue beber, pode tentar assim, ó, fala: “Ah, pode beber? Pode, pode tentar”. Por que que dá ali, dá um, dá um negócio ruim nele ou não tenho vontade ou não entra o al? Estufa mesmo. Estufa. Principalmente assim, ó. Vinho, tinta e cerveja são bebidas que vão cair no estômago. Eles vão ficar contidos ali no estômago um tempo maior. Então, bate muito rápido, né? fica bêbada muito rápido e a cerveja mesmo parece que entra na barriga e vai e e aquela parada de cabeça de pique, ah, porque a pessoa perde peso muito rápido, né? E aí o corpo parece desproporcional, então antes a pessoa tinha um corpo assim. Ah, entendi. Mas é, é perda de peso rápido, tá? Não, não é uma coisa Entendi. Entendi. Pô, o Lincoln, né? Você conhece o Lincoln, né? Ele fala que já teve paciente que tava caindo a unha. O paciente chegou para ele com a unha caindo, a unha caindo viente caindo o cílio também. A unha tava como é que como é que farelenta por conta do cara usar a caneta e comer só bobagem. Aí não tinha vitamina mais no corpo dele não tinha. A acontece você loucura isso. Que loucura. Imagina, imagina você em casa, tua unha ficar farelenta, o cabelo cair, tipo tufos de cabelo assim por hipovitaminose. Que coisa maluca, cara. É um negócio que nem dá para imaginar se você é e assim ó, se a gente for pensar a pessoa que faz um acompanhamento médico, dificilmente isso vai acontecer, tá? Geralmente é, geralmente é uma pessoa que vai ali na farmácia e compra. E aí o que o que foi, acho que três meses atrás foi determinado pela Anvisa, é que precisava de receita agora para comprar e tal. Isso é uma grande vantagem, mas a indústria perde muito. As vendas das canetas caíram mais de 30% com isso daí. Porque as pessoas realmente elas iam no médico uma vez por ano, o médico dava receita ali que ele ia na farmácia, pegava, enfim, ficava usando um ano inteiro, não repunha nada, fazia uma alimentação toda errada. Pô, fico imaginando o cérebro dessa pessoa, né? Se chegou ao ponto de cair, cair o cabelo e a unha, eu fico imaginando, sei lá, o nutriente dos neurônios. né? É até meio, né? Muito louco imaginar o os danos que pode ter causado e às vezes problema tensional, enfim, é muito muito louco, porque com certeza essas vitaminas fazem um efeito gigantesco nos neurônios. Tamires, deixa suas redes aí de novo pra galera te acompanhar. Como é que eles acham você, como é que eles marcam uma consulta, como é que eles adquirem cursos e etc. Eh, o meu Instagram é DR A Tamires A i E X A IX. Ã, a gente tem uma clínica aqui em Florianópolis, em Coqueiros, que se chama Instituto J. Tem o Instagram também, Instituto J, Saúde Integrada. E o método de tratamento que a gente criou, que é baseado mais assim no num lifestyle mesmo, se chama método TC de Tamir Cortez e tá no Instagram também, o método TC. Legal. E aí, esse aí a pessoa pode adquirir algum curso ou é sua consulta? Tem o e-book do método TC ali no Instagram. Ã, no meu Instagram também tem o e-book do método. Ã, tem para agendar consulta, assim como no Instagram do Instituto J. Tudo consegue ver ali no WhatsApp do quando sai do Instagram eu já caí direto ali pra gente explicar tudinho. Maravilha. A gente vai deixar o Instagram, link do Instagram dela aqui na descrição. Damires, obrigado pela sua presença, sua história realmente incrível. Espero que eh incentive pessoas aqui do outro lado da tela a buscarem um tratamento de forma responsável, né, e entendendo as expectativas, já que você já trilhou esse caminho e deixou aqui as dicas pra galera. Pessoal, like aqui no episódio porque o YouTube recomenda os episódios e os vídeos de acordo com a razão entre número de likes e visualizações. Então, se o nosso episódio tiver 100.000 views e 1000 likes, será um problema, mas se ele tiver 30.000 views e 20. miles, provavelmente vai ser um episódio que vai chegar em 1 milhão de visualizações. Então, deixa o seu like aí. Às vezes você acha que, ah, mas só o meu like não vai mudar nada. O seu like muda bastante. Clica aqui para ajudar o nosso trabalho. Valeu, no mais, nós nos vemos no próximo episódio e até lá. Yeah.

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Deve ser mt difícil conviver com um transtorno como esse. Não pude deixar de notar que ela é super magrinha, com certeza deve ser sensível pra ela a ideia de engordar
Vídeo absurdamente completo sobre o assunto, parabéns pra médica e gratidão ao Eslão 🙏
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